No Reino Unido, enfermeira é condenada à prisão perpétua por matar bebês

Condenada pelo assassinato de sete recém-nascidos e por tentativa de homicídio de outros seis bebês que estiveram sob os cuidados dela em um hospital no Reino Unido, a ex-enfermeira Lucy Letby, 33, recebeu a sentença de prisão perpétua nesta segunda-feira (21/08).

Trata-se da pior série de assassinatos de crianças da história contemporânea do país – segundo a acusação, a maioria das vítimas eram bebês prematuros.

Presa após uma série de óbitos entre junho de 2015 e junho de 2016 na unidade neonatal do Hospital Countess of Chester, no noroeste da Inglaterra, Letby começou a ser julgada em outubro passado pelo júri de Manchester Crown, em audiências que se estenderam por um total de mais de 110 horas.

A ex-enfermeira estava no banco dos réus quando o júri anunciou suas primeiras condenações no início de agosto, mas se recusou a comparecer às sessões para ouvir os veredictos finais e a declaração de sentença.

“Você agiu de uma forma completamente contrária aos instintos humanos normais de cuidar de bebês”, disse o juiz James Goss, dirigindo-se a Letby em sua ausência. Ele disse que houve “premeditação, cálculo e astúcia” em suas ações, com uma “profunda malevolência que beira o sadismo”.

“Você não tem remorso”, acrescentou o juiz, ordenando que ela recebesse uma cópia por escrito dos comentários da sentença e das declarações das famílias das vítimas. “Não há atenuantes.”

“A ordem do tribunal, portanto, é uma ordem de prisão perpétua para cada ofensa, e você passará o resto de sua vida na prisão”, decretou Goss.

Letby foi inocentada por duas tentativas de homicídio; o júri não chegou a uma conclusão sobre outras seis tentativas de assassinato.

Em um comunicado conjunto, as famílias das vítimas de Letby lamentaram que alguns não tenham ouvido os veredictos que esperavam ouvir e ressaltaram que embora “a justiça tenha sido feita” para os demais casos em que a condenação foi confirmada, isso “não diminuirá a dor extrema, a raiva e o sofrimento que todos nós tivemos que vivenciar”.

Fonte: DW Brasil