Uma nova espécie de “monstro” marinho, batizada de Jormungandr walhallaensis, viveu há 80 milhões de anos em um antigo mar no que é agora é a Dakota do Norte, nos Estados Unidos. A descoberta foi apresentada hoje (30) no periódico científico Bulletin of the American Museum of Natural History. O nome científico da espécie faz alusão à serpente marinha da mitologia nórdica, Jormungandr, e à pequena cidade de Walhalla, na Dakota do Norte, onde o fóssil foi encontrado. O “monstro” é um monossauro, um grande lagarto aquático carnívoro que viveu no final do período Cretáceo.
“Se você colocasse barbatanas em um dragão de Komodo e o tornasse realmente grande, é basicamente assim que ele teria parecido”, descreve em comunicado a autora principal do estudo, Amelia Zietlow, aluna de doutorado em biologia comparativa na Escola de Pós-Graduação Richard Gilder do Museu Americano de História Natural. O fóssil no qual o estudo se baseia foi descoberto em 2015, quando os pesquisadores escavaram na parte nordeste da Dakota do Norte e encontraram um crânio quase completo, mandíbulas, coluna cervical e várias vértebras.
Uma análise extensiva e a digitalização da superfície do material fóssil foram realizadas. Com isso, foi possível descobrir que o animal é de uma nova espécie com uma combinação de características vistas em dois mosassauros: Clidastes, uma forma menor e mais primitiva de mosassauro; e Mosasaurus, uma forma maior que chegou a medir quase 15 metros de comprimento e viveu ao lado do Tyrannosaurus rex.
“À medida que esses animais evoluíram para esses gigantescos monstros marinhos, eles estavam constantemente fazendo mudanças”, disse Zietlow. “Este trabalho nos leva um passo mais perto de entender como todas essas diferentes formas estão relacionadas umas com as outras.”
O trabalho sugere que o “monstro” marinho recém-descoberto foi precursor do Mosasaurus e teria vivido cerca de 80 milhões de anos atrás. O espécime encontrado tem cerca de 7 metros de comprimento, barbatanas e uma cauda parecida com a de um tubarão, além de “sobrancelhas zangadas” causadas por uma crista óssea no crânio e uma cauda que seria mais curta que seu corpo.
“Este fóssil é proveniente de uma época geológica nos Estados Unidos que ainda não compreendemos muito bem”, conta o coautor do estudo, Clint Boyd, do Serviço Geológico da Dakota do Norte. “Quanto mais preenchemos a linha do tempo geográfica e temporal, melhor podemos entender essas criaturas.”
Fonte: Revista GALILEU