Vivemos um momento peculiar na política potiguar, em que a figura de Carlos Eduardo Alves, mais conhecido pelo marketing eleitoral de sua própria campanha como “Cabecão”, se destaca não apenas pela sua longa trajetória, mas também pela dificuldade em aceitar o resultado das urnas. Sua mais recente derrota nas eleições municipais, ao ficar em terceiro lugar com apenas 90 mil votos, revela mais do que um simples revés eleitoral, expõe uma postura que muitos já conhecem: a arrogância.
Carlos Eduardo, que já foi um político influente, agora se vê em um dilema após perder a eleição para prefeito, além de ter sido derrotado na corrida pelo Senado anteriormente. Em vez de reconhecer que o povo escolheu um novo caminho, ele continua no palanque, em uma resistência que beira a negação. Suas declarações, repletas de ataques ao atual prefeito Álvaro Dias, que foi seu vice e aliado, mostram que a mágoa pela derrota ainda está fresca. Ele tenta, a todo custo, defender sua gestão e deslegitimar seu sucessor, mas o que se vê é uma luta solitária, cercada de egocentrismo tal qual sua campanha derrotada.
Fica nítido que, ao afirmar que Álvaro Dias se comportou como se quisesse um “negócio” e não uma aliança, Carlos Eduardo reflete sua incapacidade de dialogar e ceder para fazer uma composição. Até parece que existe alguma novidade nesse tipo de arranjo político para conseguir apoio em campanha.
Carlos Eduardo precisa entender que as eleições não são apenas uma competição de números, mas um reflexo do desejo popular, e o desejo de Natal foi claro: mudança. A tentativa de desqualificar seus adversários, em vez de propor soluções e discutir os problemas, apenas fortalece a imagem de um político que não aprendeu com seus erros.
É curioso observar como Carlos Eduardo tenta esquivar-se da responsabilidade, apontando falhas na gestão de Álvaro, enquanto esquece que sua própria administração também deixou legados problemáticos, especialmente nas áreas de educação e saúde. A acusação de que Álvaro destruiu serviços essenciais parece uma tentativa desesperada de desviar o foco de sua própria ineficiência. A verdade é que, em vez de contribuir para um debate construtivo sobre o futuro de Natal, Carlos se apega a narrativas que mais lembram um desespero do que uma proposta.
O que se espera de um político que já ocupou tantos cargos de relevância é que ele tenha a humildade de reconhecer suas limitações e aceitar que a vontade popular é soberana. No entanto, Carlos Eduardo, ao continuar a se comportar como se estivesse no centro do palco, não apenas ignora a voz das urnas, mas também se distancia da possibilidade de um renascimento político. Persistir em uma postura arrogante, tratando a derrota como uma mera inverdade, é um caminho que só levará à marginalização.
O ex-prefeito precisa entender que o verdadeiro legado de um político não se mede apenas em obras, mas na capacidade de ouvir e respeitar o povo. Em vez de permanecer na defensiva, seria prudente que Carlos Eduardo olhasse para o futuro, refletisse sobre os erros do passado e buscasse contribuir com Natal de uma maneira mais construtiva. A política, afinal, é feita de ciclos, e a humildade pode ser uma poderosa aliada na construção de um novo caminho. Se Carlos Eduardo deseja ser relevante novamente, a hora de descer do palanque é agora.