Em um pronunciamento em vídeo que viralizou nas redes sociais, o ministro da Economia e vice-chanceler alemão, Robert Habeck, do partido dos Verdes, alerta para o antissemitismo crescente no país – entre islamistas e extremistas de direita, mas também em “setores da esquerda”.
Segundo Habeck, a Alemanha permite críticas ao Estado de Israel, bem como a defesa dos direitos do povo palestino, mas não tolera qualquer tipo de violência contra judeus. “Não se deve tolerar nenhuma forma de antissemitismo – nenhuma”, ressaltou em mensagem divulgada nesta quarta-feira (01/11).
Um em cada dois alemães se diz preocupado
O vice-chanceler não é o único a ver o antissemitismo em alta no país: um em cada dois alemães (52%) têm essa percepção, segundo a pesquisa Deutschlandtrend, conduzida pelo instituto Infratest Dimap e encomendada pela emissora pública ARD. Do outro lado, quase quatro em cada dez entrevistados dizem não ver aumento do antissemitismo.
Antissemitismo na Alemanha
Partido de preferência | Está aumentando | Não está aumentando |
Verdes | 71 | 24 |
SPD | 64 | 29 |
CDU/CSU | 56 | 39 |
Esquerda | 56 | 39 |
AfD | 40 | 46 |
Fonte: Fonte: Pesquisa infratest dimap/ARD-DeutschlandTREND conduzida em 02/11/2023. Valores porcentuais em relação a 100%. Não sabem/não responderam: Verdes (5%), SPD (7%), CDU/CSU (5%), Linke (5%), AfD (14%).
Numa sondagem em 2019, feita logo após o atentado de extrema-direita contra uma sinagoga em Halle que deixou dois mortos, 59% dos alemães afirmaram ver um aumento do antissemitismo e 35% refutaram essa percepção.
A pesquisa não estratificou os dados para eleitores do partido FDP, dos liberais-democratas. O motivo é que a sigla, que precisa de ao menos 5% dos votos para ocupar assentos no Bundestag (Parlamento alemão), ficou abaixo desse patamar em intenção de votos.
Como os alemães avaliam a reação de Israel
O ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro e suas consequências preocupam a opinião pública alemã. Um em cada três entrevistados (74%) afirma estar muito comovido com os eventos atuais no Oriente Médio.
Fonte: G1