Lastimavelmente, o nosso país foi erguido para, depois de esgotadas as riquezas – naturais e financeiras (exploração de ouro e de prata) -, ser abandonado. Desta feita, esvaiu-se atado à condição ostracista ateniense do Século V a.C. De forma cristalina, éramos uma Colônia de Exploração que, por fatores históricos, tais quais a fragilidade da Família Real Portuguesa diante do Cenário Europeu e o desejo ardente pelas tentações e pelo não pecado dos Trópicos, “minhocou-se” como diria Aluísio Azevedo. Sob essa ótica, é premente apresentar a força da literatura Naturalista produzida em nossos ares uma vez que explica o estágio perplexo de animalização, de “bichificação” do ser humano.
De maneira indubitável, “Minhocou-se” e se transformou, às pressas circunstanciais, em um lugar de fixação. Nesse sentido, reforço as inúmeras formas de corrupção desde o Século XVI, capitaneadas pelos “homens bons” (avessos à ética) e pelos Governadores Gerais – principalmente Duarte da Costa. Tais movimentos imorais foram flagrantemente alarmados por Gregório de Matos, no Século XVII, quando escreveu: “Neste mundo é mais rico o que mais rapa”; “Quem dinheiro tiver, pode ser Papa”. Convém destacar que o Brasil “empoderou-se” e, assim, foi entregue ao Século XXI. É preocupante apontar que pioraremos escalonadamente. Para perceber, basta “enfiar a faca no miolo mais profundo”, como dizia Machado de Assis. Tem-se, pois, o Estado cercado de brutalidades, capitaneadas pelo ser humano rude, “animal social”, como defendia o Filósofo Arthur Schopenhauer.
Após a devastação provocada pelo Furacão katrina, em 2005, nos Estados Unidos, o então presidente, George Walker Bush, pouco contribuiu. É fácil constatar que, na sequência, Barack Obama, em dois mandatos, também não fez o esforço necessário no intuito de amealhar os recursos financeiros para reconstruir New Orleans, cidade do estado da Louisiana, a qual ficou 97% destruída. Sob essa ótica, é importante ressaltar que as verbas, de forma incontestável, vieram, majoritariamente, das igrejas e templos, das doações humanitárias e das arrecadações destinadas por grandes artistas, os quais fizeram shows gratuitamente e cederam todo o cachê, dentre eles: Allen Toussaint, Lionel Ferbos, Lauryn Hill e Ziggy Marley. Apenas em 2015, dez anos depois, New Orleans voltou a respirar de forma um pouco mais tranquila, ainda na gestão BARACK OBAMA.
É de fácil constatação que a hecatombe climática do Rio Grande do Sul não será resolvida nem por meio do aparato financeiro do estado nem pela força econômica da União. Dispõe-se de recursos, com muitas sobras, e, obviamente, isso não é invisível. Quando as portas do inferno são inflamadas pela força do caos de Hesíodo, exigindo um “vazio” lacerativo, outras atrocidades se erguem. Como afirmava Kant: “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Em meio às múltiplas e persistentes tentativas frustradas de conscientização por meio de projetos educacionais desenvolvidos há pelo menos dois séculos, infelizmente – é muito doloroso dizer – mas, para o Rio Grande do Sul reprosperar, algumas situações deverão ser “esquecidas”. Nota-se que não é exclusividade do sul. Por conta de um desregramento secular, seria assim em qualquer lugar do Brasil. Como diz o filósofo e escritor Vladimir Safatle: “Neste país em eterna decomposição, jamais funcionaremos de forma minimamente normal”.
Frederico Lima
Professor
Jornalista
Articulista
Poeta
