Em uma cidade onde a história parece ser tão volúvel quanto as promessas de um político em campanha, a recente mudança de nome do Largo do Atheneu para homenagear um político e desonrar uma figura emblemática para a história do local envolve questões que vão muito além de simples convenções de nomenclatura. A Confeitaria Atheneu, um dos mais tradicionais pontos de encontro da boemia natalense, agora é palco de um protesto que ecoa pela cidade, não apenas como uma defesa de um nome, mas como uma reivindicação por memória, identidade e respeito à história.
Odeman Miranda, o icônico proprietário da confeitaria, é a personificação de Natal. Sua vida entrelaçada com a história da cidade é um testemunho vívido de como o passado e o presente se fundem nas calçadas do bairro de Petrópolis. Odeman não é apenas um comerciante; ele é um guardião de memórias, um contador de histórias que vê em sua confeitaria não só um negócio, mas um legado. E agora, essa história está sendo desfigurada pela escolha de um novo nome para o largo.
O fato é que a homenagem de Édson Faustino ao pai é justa. Não se questiona isso. Porém, qual a relação do político com aquela área? Édson Faustino, embora carregue boas intenções, ignora a essência do lugar. O Largo do Atheneu é mais do que uma simples área geográfica; é um espaço onde o passado se encontra com o presente, onde as conversas políticas e os encontros boêmios moldaram a cultura local. A mudança de nome é uma tentativa de apagar a história, de transformar um marco cultural em mais um capricho de uma administração que parece mais preocupada em agradar a certos grupos do que em preservar a memória da cidade.
A Confeitaria Atheneu, com suas paredes adornadas por fotos que contam a história de Natal, é um símbolo de resistência. Odeman, que viu a cidade se transformar ao longo das décadas, agora se vê diante de um desafio que transcende a sua confeitaria. A luta dele é a luta de todos que acreditam que a história deve ser preservada, que as raízes de uma cidade não podem ser arrancadas em nome de homenagens passageiras.
A mudança de nome do largo é uma afronta à identidade natalense. Em tempos em que a cultura e a tradição parecem estar em declínio, a preservação de lugares como a Confeitaria Atheneu se torna ainda mais vital. É um grito em defesa da memória coletiva, um lembrete de que cada esquina de Natal tem uma história a contar, e que essas histórias não devem ser silenciadas ou esquecidas.
Portanto, o protesto da “Confeitaria do Atheneu” não é apenas sobre um nome. Na frente da fachada da confeitaria, foi colocada uma faixa com a palavra “Desonemagem” em destaque, lembrando que o largo do Atheneu já tem o nome desde 2020. Ele se chama Odeman Miranda de Araújo, em homenagem ao saudoso proprietário da confeitaria. Logo, o protesto é um apelo por respeito à história, um convite à reflexão sobre o que significa ser natalense em um mundo que tantas vezes se esquece do seu passado. A Confeitaria Atheneu é um bastião de resistência, e sua luta deve ser a de todos nós. Que o Largo do Atheneu permaneça como um tributo ao que realmente importa: a memória, a cultura e a identidade de uma cidade que precisa, mais do que nunca, lembrar-se do seu passado enquanto constrói seu futuro.

