O presidente Jair Bolsonaro reuniu nesta segunda-feira (18/07) dezenas de diplomatas estrangeiros no Palácio da Alvorada para fazer uma apresentação de mentiras sobre o sistema de votação brasileiro, atacar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e exaltar um suposto papel das Forças Armadas na avaliação do processo eleitoral.
A menos de três meses do primeiro turno das eleições, o evento contou com a mobilização do Itamaraty e do ministro das Relações Exteriores, Carlos França, exibiu fotos de Bolsonaro cercado de apoiadores e resumiu, aos representantes de outros países, teorias fantasiosas sobre as urnas eletrônicas que vêm sendo repetidas pelo presidente e seus apoiadores desde pelo menos a eleição de 2018.
Ataques ao Judiciário
Durante sua apresentação, Bolsonaro tentou deslegitimar a autoridade do TSE para organizar as eleições e atacou nominalmente os ministros Luís Roberto Barroso, que presidiu a Corte até fevereiro, Edson Fachin, que atualmente comanda o tribunal, e Alexandre de Mores, que assumirá a presidência do TSE em 16 de agosto. Segundo Bolsonaro, os três “querem trazer instabilidade” ao Brasil ao não aceitarem as “sugestões das Forças Armadas” sobre a urna eletrônica.
Bolsonaro referiu-se a Fachin como o ministro “que tornou o Lula elegível” – apesar de a decisão que revogou a condenação do petista ter sido confirmada pelo plenário da Supremo –, mencionou Barroso como aquele que tinha sido “o advogado do [Cesare] Battisti, que recebeu o acolhimento do Lula”, e afirmou que Moraes havia advogado no passado “para grupos que, se eu fosse advogado, não advogaria” – em referência implícita a uma alegação constante no meio bolsonarista de que Moraes teria advogado para o PCC, o que ele nega.
O presidente também criticou o TSE por ter determinado que redes sociais desmonetizassem páginas e canais que disseminam notícias falsas e por “cassarem um deputado por fake news” – em referência ao deputado estadual pelo Paraná Fernando Francischini, cassado por disseminar em 2018 que teria havia fraude no cômputo de votos de modo a impedir a eleição de Bolsonaro como presidente, em decisão confirmada pelo Supremo.
Ataques ao Judiciário fazem parte do manual de atuação de líderes de extrema direita eleitos em todo o mundo. Em democracias, são as Cortes supremas que, em última instância, atuam para conter investidas autoritárias de chefes do Executivo contra a Constituição. No caso brasileiro, a atuação do STF e do TSE durante a gestão Bolsonaro tornou-se especialmente importante devido à atuação dócil de líderes do Congresso, especialmente do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em relação ao presidente, em troca de um controle cada vez maior sobre o destino de verbas públicas para suas bases eleitorais.
Fonte: DW Brasil