Lembra aquela bomba que explodiu na ponte velha durante os atentados? Então, não foi uma explosão qualquer como disseram a época. A bomba “detonada” nas proximidades da Ponte de Igapó, que dá acesso à Zona Norte de Natal, no fim da tarde do dia 21 de março deste ano, quando as forças policiais interditaram a via na ocasião, causou estrago na estrutura. Tudo foi abafado para conter o clima de pânico e insegurança que assustava os potiguares. Lembro que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) chegou a liberar o trânsito, horas depois, após o esquadrão antibombas não encontrar nenhum outro artefato e não perceber dano “aparente” na estrutura. Mas na verdade a situação é preocupante.
Naquele momento, após o Instituto Técnico-Científico de Perícia do Rio Grande do Norte (Itep) afirmar que os danos não foram causados pela bomba mas que eram decorrentes do processo de desgaste natural da estrutura, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do RN (CREA-RN) apresentou opinião contrária, apontando que o tipo de dano encontrado em sua vistoria é decorrente da explosão.
Recentemente, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) começou uma operação de interdição da Ponte de Igapó, necessária para dar início aos serviços de reabilitação das pontes sobre o rio Potengi. O diretor nacional do DNIT, Fabrício Galvão, comentou, em entrevista a TV Tropical, sobre a obra de revitalização e defendeu a importância do projeto, que foi concebido em 2021. Galvão deixou claro que o DNIT estava seguindo um cronograma independente em relação às obras na avenida Felizardo Moura, lideradas pela Prefeitura do Natal. O projeto de revitalização da Ponte, que abrange uma restauração completa, tem um orçamento de R$ 20,8 milhões. A ponte foi interditada no dia 12.
Já a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), informou que a ponte Costa e Silva, conhecida como ponte de Igapó, está sob a responsabilidade do DNIT e fiscalização PRF. Em nota, no dia 12 de setembro, a STTU disse que vai continuar a prestar apoio nas interdições das obras da avenida Felizardo Moura.
O diretor nacional do DNIT, Fabrício Galvão, comentou ainda na entrevista sobre a ausência do DNIT em uma reunião agendada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (CREA-RN) para discutir a obra. Galvão alegou conflito de agenda na data do encontro, que ocorreu no último dia 18. “A gente teve uma dificuldade de agenda para compatibilizar. O superintendente [do RN] estava em um evento de conservação rodoviária em Foz do Iguaçu-PR, com também outros representantes do DNIT. Então, a gente estava em um evento e não deu para conciliar com o CREA”, disse.
EXPLOSÃO E DOCUMENTOS SOBRE A ESTRUTURA DA PONTE
O BLOG ANTENADO teve acesso a documentos que comprovam o comprometimento da estrutura da Ponte de Igapó após a explosão. Os relatórios apontam que a explosão do artefato danificou as transversinas de uma das linha de apoios da ponte. O diretor nacional do DNIT falou que os danos existentes já eram anteriores à bomba, mas os relatórios demonstraram que não, de acordo com documentos e fotos tiradas logo depois da explosão, mostrando a evidência dos danos. Os relatórios apresentados para o BLOG mostram que os danos na Ponte foram provocados pelo explosivo, embora não tenha comprometido a segurança global da estrutura.
Ainda de acordo com os documentos, como a Ponte já estava interditada por ocasião das obras da Av. Felizardo Moura, foi mantida a interdição até o mês de maio. Nesta ocasião, a dinâmica das obras da Felizardo alcançou novo estágio e foi solicitada a liberação da ponte, sendo atendida pelo DNIT. A liberação ocorreu em dois estágios: num primeiro momento, só no final de semana e com restrição de carga/tráfego; num segundo momento, permitindo que alguns tipos de veículos, anteriormente restringidos, agora fossem liberados. A interdição estava sendo feita no sentido Igapó-Centro, após a implantação de toda a sinalização necessária para alertar sobre a alteração no tráfego. Em junho deste ano, o DNIT ressaltou “que continuará a realizar o monitoramento regular da estrutura até a realização das obras de reabilitação das duas pontes sobre o Rio Potengi, cujo contrato está em fase de elaboração de projeto, com prazo de vigência para agosto de 2024.”
É importante destacar que os relatórios gerados pela empresa Jatobetom e as fotos registradas, logo após a explosão, deixam evidentes os estragos e os danos causados na estrutura, que está passando por reparos. Tanto que o contrato do DNIT para recuperação da ponte que está em execução deverá ser aditado para garantir os reparos necessários na parte da estrutura que foi comprometida pela explosão. Portanto, quem diz que a ponte não teve sua estrutura prejudicada pela bomba está mentindo e ocultando informações importahtes para a população da cidade.

















