Há algum tempo, a imagem do Facebook como startup promissora e “queridinha” do Vale do Silício se dissolveu. Mark Zuckerberg, antes visto como um jovem genial, se acostumou a participar de sabatinas no Congresso americano. Os usuários mais atentos entenderam como os algoritmos trabalham para fisgar a atenção nas plataformas. Porém, os problemas de segurança e desinformação da plataforma ainda se apoiavam na justificativa de o mercado de redes sociais ser novo e estar aprendendo a controlar seus tentáculos.
O livro Uma Verdade Incômoda (Cia. das Letras, 364 p.) derruba esse argumento. Por meio de uma apuração jornalística extensa, as repórteres Sheera Frenkel e Cecilia Kang, do jornal americano The New York Times, mostram que o Facebook teve responsabilidade nos escândalos porque a companhia colocou em primeiro lugar metas de engajamento de usuários e desenvolvimento de produtos.
Para o público em geral, o livro mostra com riqueza de detalhes como opera a máquina por trás do universo de curtidas e engajamento das redes sociais – as autoras não defendem uma posição radical de abandonar as plataformas, mas sim de usá-las entendendo como o produto funciona. Afinal, conhecendo a dinâmica, é possível usar redes sociais para se manter perto de amigos e familiares, sem necessariamente rolar o feed de notícias eternamente e compartilhar desinformação.
A leitura, porém, pode ter valor especial com um público em específico: os “startupeiros”. A sequência de escândalos da rede social mostra o perigo de pisar no acelerador e focar apenas em crescer e inovar a qualquer custo.
Fonte: Portal Terra