Médica critica prefeito de Natal pela recomendação do uso da Ivermectina; segundo médica Denise Garrett, é um ato ‘criminoso’

O uso do vermífugo ivermectina no tratamento de pacientes com Covid-19 tem sido criticado por muitos médicos e cientistas, mas defendido por outra parte da classe médica. Nesta terça-feira, 23, a médica infectologista Marise Reis, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e integrante do comitê científico que assessora o Governo do Estado, fez duras críticas ao prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), por seguir na defesa do uso da ivermectina no tratamento de pacientes com Covid-19. 

Ao analisar a situação do Brasil no enfrentamento à Covid-19 e aos constantes anúncios do uso do vermífugo, a médica epidemiologista Denise Garrett, ex-integrante do Centro de Controle de Doenças (CDC) do Departamento de Saúde dos Estados Unidos e atual vice-presidenta do Sabin Vaccine Institute (Washington), declarou ontem, 22, no Twitter, que os casos estão explodindo em Natal, com UTIs cheias, e a medida de controle da prefeitura é fechar bares às 22 horas. Um dos internautas respondeu a médica com uma notícia de que o prefeito Álvaro Dias declarou na segunda-feira, 22, de que a grande saída contra a covid é a Ivermectina. Ao ler sobre a declaração do prefeito, Denise Garrett declarou que é algo ‘Criminoso’. 

Ainda segundo a médica Denise, no tocante à vacinação contra a Covid-19, só vai funcionar no Brasil se ela for pensada no sentido do coletivo. As pessoas podem pagar pelas vacinas para suas famílias, mas nem elas estarão protegidas se a população não estiver vacinada.” A advertência foi feita ao comentar sobre o interesse do setor privado pela vacina contra o novo coronavírus. Ela disse ainda que o setor público vem controlando a aquisição e a aplicação gratuita de imunizantes nos países, incluindo os Estados Unidos, que já estão vacinando seus grupos prioritários. E esclarece que não há, no momento, espaço para o setor privado comercializar as vacinas, porque as autorizações emitidas pelas agências reguladoras até agora são para uso emergencial. E porque não há oferta suficiente: a prioridade é suprir a demanda do setor público. “Toda vacina que for para o setor privado estará sendo tirada do setor público”, disse em entrevista ao jornal El País Brasil.