Com a pandemia, o número de registros de casamentos civis no Brasil caiu 26,1% em 2020, frente a 2019, a maior queda da série histórica das Estatísticas do Registro Civil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1974. O número total passou de 1.024.676 em 2019 para 757.179 no ano passado, uma diferença de quase 270 mil casamentos.
“Os casamentos já vinham com tendência de queda desde 2016, mas a redução de 26,1% foi fora do padrão, nada justifica uma queda desse tamanho além da pandemia. Em 2018, a queda foi de 1,6% e, em 2019, ficou em torno de 3%”, explica a gerente da pesquisa, Klyvia Brayner de Oliveira.
O movimento reflete, segundo o IBGE, as orientações sanitárias de distanciamento social, que inviabilizaram a realização de cerimoniais e fizeram com que muitos casais adiassem a decisão pelo casamento. Todas as regiões tiveram um número menor de casamentos civis registrados em cartório, com destaque para Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, que apresentaram quedas, respectivamente, de 27,8%, 27,7% e 27,3%.
O mesmo comportamento foi observado nos casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, os quais registraram queda de 29,0%, passando de 9.056 em 2019 para 6.433 em 2020. O recuo também foi observado em todos as regiões, com destaque para o Sudeste (31,6%) e o Sul (29,6%). Dos 6.433 casamentos entre pessoas do mesmo sexo realizados em 2020, 60,1% se deram entre cônjuges femininos.
O impacto da pandemia se mostra ainda mais claro quando se observam os dados mensais. A queda nos registros começa em março e se acentua nos meses seguintes, segundo o IBGE. O total de casamentos realizados de abril a junho de 2020 foi 55,2% menor que o de igual período em 2019. “Nos meses seguintes, apesar da recuperação iniciada, a média mensal de casamentos de anos anteriores não foi alcançada, porém o mês de dezembro permaneceu como o de maior número de casamentos”, disse o IBGE.