Uma variante do novo coronavírus surgida no final de 2020 em Manaus tem preocupado autoridades sanitárias do Brasil e do mundo devido ao seu maior potencial de contágio. A mutação, chamada de P.1, está associada ao segundo colapso do sistema de saúde do Amazonas, ocorrido entre dezembro e janeiro, e já forçou cidades como Araraquara, no interior paulista, a decretar o fechamento do comércio não essencial, por ter se espalhado pela região. Ela também colocou o governo britânico em alerta.
No domingo (28), o Reino Unido identificou seis casos da variante brasileira, sendo três deles na Inglaterra e os outros três na Escócia. Como um dos doentes não preencheu o cartão de identificação que acompanha o teste de covid-19 para passageiros que chegam ao país, o governo decidiu realizar na segunda-feira (1º) uma “caçada” para identificar a pessoa infectada, com o objetivo de isolá-la e evitar a disseminação do vírus. O país irá fazer testes em massa e rastrear todos os viajantes que chegaram do Brasil no início de fevereiro. O Reino Unido já sofre com uma variante local mais transmissível, batizada de B.1.1.7. Para contê-la, o país adotou um terceiro lockdown em dezembro e intensificou a campanha de vacinação. As medidas já vêm apresentando resultados, como a redução na internação de idosos.
No Brasil, a variante P.1 já foi identificada em ao menos 17 estados. Especialistas acreditam que ela pode estar associada ao aumento de casos, mortes e internações que levaram o país a alcançar o pior momento da pandemia em fevereiro. Até o final do mês, metade dos estados brasileiros estava em situação crítica, com taxa de ocupação das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) superior a 80%. As mutações são comuns e esperadas. Elas acontecem por causa de falhas na replicação do vírus no organismo. Quanto mais o coronavírus circula de forma descontrolada, como vinha acontecendo no Brasil devido ao afrouxamento das medidas de isolamento social, maiores as chances de surgirem variantes com vantagens evolutivas.
Fonte: Nexo Jornal