Um grupo internacional de pesquisadores conseguiu um feito inédito ao testar o uso do xenônio (Xe), um gás nobre e pouco reativo, sobre a micróglia – pequena célula imune do sistema nervoso central. O projeto foi o primeiro a demonstrar o potencial efeito terapêutico do xenônio em modelos de camundongos com a doença de Alzheimer.
Com participação de pesquisadores brasileiros, o tratamento desenvolvido pelos cientistas induziu a micróglia dos animais a um estado de proteção, reduzindo a atrofia cerebral e a neuroinflamação. Para isto, o grupo projetou uma câmara de inalação de xenônio personalizada para tratar camundongos com Alzheimer e um sensor capaz de detectar com precisão a concentração do gás, cuja medição é difícil e delicada.
“A doença de Alzheimer é atualmente uma das principais causas de demência, contando com apenas um tratamento aprovado. Nosso estudo mostrou que o xenônio atua induzindo um estado que favorece o equilíbrio do sistema nervoso central e auxilia a micróglia no controle da doença”, afirma Wesley Brandão ao Jornal da USP.