Flagras de fotos e vídeos de uma “festa do branco”, com o tema Oasis, que poderia se chamar sem prejuízo de “festa do jaleco”
As fotos e vídeos de festas com aglomeração e pessoas desrespeitando protocolos de segurança contra a Covid-19 têm gerado grande revolta nas redes sociais. O que muitos não esperavam, entretanto, é que nessas cenas de irresponsabilidade estariam presentes também profissionais de saúde. São médicos, dentistas e estudantes de medicina, a maioria jovens, que desafiam o distanciamento social, desde os réveillons de Pipa e São Miguel do Gostoso até a badalada White Party, realizada no último dia 15 de janeiro em uma casa de eventos (Espaço Di Trento) em Nísia Floresta (RN). A tradução do nome do evento parece bem adequada: “Festa do Branco” (com o tema Oásis) onde todos estão vestidos com cor que simboliza paz, mas que também é a mesma usada pelos profissionais de saúde no dia a dia. Será que é por isso que eles prestigiam tanto o evento? Com um guarda roupa repleto de peças brancas para usar em clínicas e hospitais, eles não têm qualquer dificuldade para se vestirem e irem para essa balada. Só esquecem um detalhe: vivemos em uma pandemia na qual o Brasil perdeu mais de 200 mil vidas para a COVID-19. Esquecem que o Rio Grande do Norte tem mais de 3 mil mortos e entre eles, já são 24 médicos.
Fiz um levantamento através de postagens em redes sociais que apresento aqui e esses são alguns dos profissionais de saúde que estão se expondo a aglomerações e colocando em risco a própria vida, de parentes, amigos e dos seus pacientes como alerta a infectologista e professora do departamento de infectologia da UFRN, Marise Freitas: “Eles podem e devem se divertir. A vida de um profissional da área de saúde é estressante. Mas devem buscar outro tipo de diversão e se forem para a “balada” com aglomeração precisam se isolar por pelo menos 10 dias antes de voltar a atender seus pacientes,” aconselhou a professora. Mas quem observa as postagens desses profissionais constata nenhum cuidado. Eles postam a festa aglomerando sem máscara e no outro dia já estão com seus jalecos atendendo em hospitais, clínicas e consultórios.
O Blog Antenado entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (CRMRN) que preferiu se calar sobre a postura dos médicos e disse através da assessoria que “o Cremern não vai se pronunciar por entender que não tem controle da vida particular dos profissionais”. Já o sindicato dos médicos do RN (Sinmed-RN), reconhece que há uma conduta que precisa ser combatida e esclareceu em nota que: “Quanto à questão de eventos de massa, como festas populares ou esportivas, mesmo em ambientes abertos, há que se considerar as dificuldades para manter distanciamento e evitar contatos próximos. Num contexto de aceleração de casos e dificuldades de uso das medidas sanitárias preventivas, citadas nas regras gerais de comportamento, fica implícito a inadequação, por enquanto, de eventos dessa natureza.” Para o Sinmed-RN, a existência dos eventos autorizados ou não por autoridades sanitárias podem oferecer riscos de contaminação, mesmo que legalizados e não recomenda a presença não só de profissionais da saúde, como de outras pessoas: “Especificamente em relação à participação de médicos ou pessoas influenciadoras de comportamento, mesmo com a liberação do evento pelas autoridades e adoção estrita das regras prescritas, ao sopesar o estado de espírito e ânimo da sociedade, diante do quadro de luto pela situação dramática de tantas mortes que a pandemia tem causado, e seus conhecidos repiques após situações de aglomerações, seria desaconselhável a presença, embora não fosse ilegal.”
Para a professora da UFRN, Janeusa Souto, imunologista, o comportamento desses profissionais gera indignação: “Não é isso que ensinamos na faculdade e espero que entre esses profissionais não haja alunos e ex-alunos meus e lamento que o comportamento corporativista impeça as entidades da classe médica de punirem esses profissionais”, declarou Janeusa.
Já a Secretaria Estadual de Saúde (Sesap-RN), entende que as recomendações para os profissionais da saúde em relação a eventos e aglomerações é a mesma para toda a população: ‘devem ser evitadas.” Porém, no Plano Nacional de Imunização de Combate à Covid-19 em razão do número insuficiente de doses, vieram apenas 82.440 que irão imunizar menos da metade desse número já que são duas doses por pessoa e existe uma perda calculada em 5%. Ficaram de fora os idosos com mais de 75 anos, o chamado grupo de risco. Já os profissionais da saúde que comprovarem atuação em leitos Covid-19 poderão receber o imunizante. E esse profissional que estava na “balada” usando branco e envergonhando o juramento de Hipócrates, poderá receber a vacina tão aguardada por todos? É justo? É correto? É ético?




Anestesiologista;











Anonimo
Eh um absurdo essa noticia… Identificar as pessoas para serem canceladas como se estivessemos vivendo na epoca da inquisicao. Os culpados ai foram as pessoas que liberaram a festa e nao quem estava la presente. O unico cancelado aqui deveria ser esse blog e o reproter
Eugênio Bezerra
As pessoas se auto identificaram com suas postagens em suas redes sociais. Meu trabalho foi apenas investigar e reproduzir as postagens alem de ouvir especialistas e orgãos de classe ou representativo dos profissionais. A isso chamamos de jornalismo. Assim como os locais tem responsabilidade. Quem foi também tem. Ninguém estava lá obrigado e o intuito não é cancelar ninguém, mas alertar para o risco. Pessoas estão morrendo. Pensa nisso.
Maria
É lamentável a postura egoísta e irresponsável. A conduta de um médico deve ser diferente pois o contato com pacientes é próximo e esses são vulneráveis. Vimos no auge da pandemia multirões de cirurgia plástica, equipes com membros contaminados não pararem de operar, cirurgiões que viajaram, aglomraram e operaram no dia seguinte. Hospitais e suas equipes fazendo grande festas de verão e indo trabalhar no dia seguinte. Irresponsáveis.
Luiz Souza
Não merecem a mínima compaixão, se por acaso, vierem a morrer.
Não são pessoas, são LIXOS HUMANOS!!!
Eugênio Bezerra
Todo paciente merece atendimento. Quem não merece ser enganado é o paciente sem saber que o profissional que o atende está colocando a sua vida em risco em meio a uma pandemia e de forma deliberada e irresponsável se expondo ao vírus em aglomerações. Espero que o senhor em sua defesa não esteja me atacando por ser um desses profissionais ou apoiar esse comportamento por parte de algum conhecido seu.
Lucas Barros
Faltou Lorena Mendonça, enfermeira obstetra que realiza teste de COVID a domicílio que além de ir pra essa festa foi aglomerar no réveillon de gostoso e no de Pipa.
Paula Terjano
E você doido pra tá aí!
Eugênio Bezerra
Adoro festa. Gostaria de estar, sim. Mas não é o momento.
Nilton Rocha
A que ponto chegamos? Será que o risco não é unitário? Será que a vida não foi feita para viver? Quem não viver agora vai viver quando? Este tipo de reportagem se torna uma babaquice ao ponto de querer intimidar pessoas e suas profissões.
Eugênio Bezerra
O direito individual a vida não pode sobrepor o direito coletivo a ela. Viva, mas não coloque em risco a vida dos outros.
Paula Tejano
Foram, se divertiram e ainda serão vacinados antes de você. Não corta os pulsos não, tá?!
Darwim
Blogueiro medíocre, inexpressivo e desqualificado.
Apenas mais um a mendigar 5 minutos de fama às custas da pandemia!
Eugênio Bezerra
Além de ser jornalista formado e com mais de 20 anos de atuação na área em TV, rádio e impresso, com pós graduação na minha área, estou concluindo direito. Acho que esses adjetivos não me definem e nem tão pouco o meu trabalho ou a minha história. Mas obrigado pelo comentário.