Aos 108 anos, Dona Hilda Cândida seria a primeira pessoa a ser vacinada em Rio das Flores, cidadezinha do Sul Fluminense. Mas abriu mão da dose a que tinha direito. Segundo ela, a generosidade é um dos valores mais importantes do ser humano. “Eu já vivi tanta coisa nessa vida, com quase 109 anos, que prefiro dar a vacina para alguém mais novo, que ainda pode viver mais do que eu posso. Estou quase partindo, não quero essa vacina”, afirma a idosa, que faz aniversário em 2 de março.
Com dores crônicas nas pernas — fruto da idade avançada —, Dona Hilda passa boa parte do dia sentada no banco da varanda da casa onde mora. Durante a pandemia, mantém-se isolada de vizinhos e amigos, a quem acena do portão. A Covid-19, que desde março já matou sete pessoas em Rio das Flores, é assunto que a idosa prefere deixar de lado. Mas mesmo sem aceitar a vacina, promete não descuidar da proteção e seguir usando máscara e álcool em gel.
A cidadezinha com pouco mais de 8 mil habitantes recebeu nesta terça-feira as 170 doses da CoronaVac destinadas a ela pelo governo estadual. Uma profissional da saúde e dois idosos foram vacinados. O restante será aplicado a partir de quarta-feira, utilizando a prioridade de quem atua na linha de frente contra a doença e dos idosos com mais de 75 anos de idade.
Epidemiologista do Instituto de Medicina Social da Uerj, Claudia de Souza Lopes destaca que a vacinação dos idosos é fundamental para protegê-los, e afirma que tanto a CoronaVac quanto a vacina de Oxford utilizam tecnologias conhecidas e não têm efeitos colaterais significativos.
Fonte: Jornal O Globo