A Ucrânia perdeu quase 20% de seus principais cientistas, segundo estudo publicado no periódico Humanities & Social Sciences Communications nesta terça-feira (12). Uma delas foi Olena Iarmosh, que foi professora de ensino superior por 16 anos antes de fugir para a Suíça. Ela vivia em Kharkiv, uma cidade no leste da Ucrânia a 40 quilômetros da fronteira com a Rússia que foi bombardeada em fevereiro de 2022.
Após deixar seu país por conta da guerra, Olena conseguiu um cargo temporário de professora visitante na Escola Politécnica Federal de Lausana (EPFL), na Suíça, com o professor e economista Gaétan de Rassenfosse. A equipe de Rassenfosse buscou quantificar o impacto da guerra na ciência ucraniana analisando as respostas de cerca de 2.500 cientistas do país entre setembro e dezembro de 2022.
O estudo mostra que 23,5% dos cientistas que continuam na Ucrânia perderam acesso a insumos essenciais para suas pesquisas, e 20,8% não podem acessar suas instituições fisicamente. “Muitos desses cientistas emigrantes têm contratos precários em suas instituições anfitriãs”, lembra Rassenfosse, em comunicado. “Dos cientistas que permanecem na Ucrânia, se ainda estiverem vivos, cerca de 15% abandonaram a pesquisa, e outros têm pouco tempo para se dedicar a ela devido às circunstâncias da guerra.”
Os pesquisadores destacam a importância de bolsas de estudo para cientistas migrantes. Já para aqueles que permanecem na Ucrânia, eles sugerem que instituições de outros países ofereçam programas de apoio e de visitas remotas a acervos e recursos de computação, além de bolsas de pesquisa.
Fonte: Revista GALILEU