Abandono das máscaras e das restrições no Reino Unido aumenta risco de surgirem mutações no coronavírus, tornando-o resistente às vacinas; país vive alta de casos, com forte expansão da variante Delta; app do governo inglês envia ordens de quarentena para centenas de milhares de pessoas, causando momentos de caos
“Em 19 de julho de 2021 – apelidado de Dia da Liberdade – quase todas as restrições serão encerradas. Nós acreditamos que essa decisão é perigosa e prematura.” Assim começa o manifesto, que foi publicado no jornal científico Lancet e assinado por 1.200 cientistas. Segundo eles, o “Freedom Day”, que aconteceu ontem e marca o fim da obrigatoriedade das máscaras e das restrições sanitárias no Reino Unido, colocará em risco um grande número de pessoas no país (onde 68% da população recebeu uma dose da vacina e 51% tomou as duas doses, ou seja, ainda há bastante gente desprotegida).
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Em seguida, o documento faz uma previsão sombria. “Dados preliminares sugerem que a estratégia do governo [de reabertura total] fornece um terreno fértil para o surgimento de variantes resistentes às vacinas. Isso colocaria todos em risco, incluindo aqueles já vacinados, no Reino Unido e globalmente.”
Esse receio se deve ao fato de que, embora as vacinas continuem protegendo contra Covid grave causada pela variante Delta, elas não impedem a transmissão do vírus. A Delta já é dominante no Reino Unido, onde responde por mais de 90% das novas infecções. Com o abandono do uso de máscaras e das restrições sanitárias, essa variante poderá se espalhar aceleradamente – o governo inglês prevê 100 mil novos contaminados por dia.
Fonte: Revista Superinteressante